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Visão e compreensão de Deus

Kardec discorre sobre esse tema com uma afirmação e duas perguntas: “Uma vez que Deus está em toda a parte, por que não o vemos? Nós o veremos deixando a terra?” Quando estamos encarnados, não O vemos, pois nós, como espíritos, estamos eclipsados pela matéria, ou seja, enxergamos de acordo com nossos olhos físicos.
Nossos órgãos materiais têm percepções restritas por causa das limitações impostas pela carne. Por isso, não vemos determinado espectro de cores nem ouvimos determinado espectro de som. Isso é relativamente simples de compreender. Quando desencarnarmos, muda alguma coisa? Como nos elucida o Espiritismo, o simples fato de desencarnar não promove uma alteração no grau evolutivo do espírito. Portanto, adentramos a pátria espiritual com o mesmo grau de depuração que tínhamos quando encarnados, estando livre apenas de mais um envoltório corporal, que por si só não nos permite ter a “visão de Deus” – privilégio apenas para almas bem mais purificadas.
Além disso, não somos evoluídos moral e intelectualmente para concebermos Deus. Temos ainda a necessidade de dar formas e circunscrever tudo. Como conheceríamos Deus? Sob uma forma humana? Como um foco de luz resplandecente?
Kardec usa uma analogia para que possamos compreender o processo evolutivo do espírito e, efetivamente, vê-Lo. Pense em uma pessoa que está no fundo de um vale com um espesso nevoeiro que esconde o sol. Não vê o sol, mas o percebe por causa de uma luz difusa. Se começa a subir a montanha, a névoa pouco a pouco vai se dissipando e começa a ver a luz cada vez mais forte, mas ainda não vê o sol. Por fim, começa a ver o sol, mas ainda encoberto por uma névoa. Apenas vê o sol em sua resplandecência quando estiver acima de todo o nevoeiro, onde o ar é totalmente límpido.
Assim acontece conosco. À medida que vamos evoluindo, vamos nos depurando, pouco a pouco, e nos livrando das imperfeições morais. Nosso corpo espiritual vai se purificando também, ficando cada vez mais fluídico. Assim, vamos alçando também novos patamares intelectuais. Cada imperfeição moral vencida, é como mais um véu que tiramos da frente de nossos olhos. Mas, se ainda não podemos ver Deus, podemos compreendê- Lo melhor até que, completamente depurados, possamos desfrutar da plenitude de nossas faculdades e, então, efetivamente vê-Lo e compreendê- Lo com toda clareza.