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Pensamento: o prelúdio das ações

Cogito, ergo sum1, a célebre conclusão de René Descartes, descortina o ser além da matéria: aquele que pensa.

É o pensamento o prelúdio das ações, o esboço das construções. É para o espírito o que a mão é para a matéria. Assim como a mão constrói e transforma, o pensamento, atuando sobre os fluidos espirituais, imprime tal ou qual direção, aglomeram-nos, combinam-nos e os dispersam. Por vezes essas transformações são resultado de uma intenção; muitas são o produto de um pensamento inconsciente. Basta ao espírito pensar em uma coisa para que essa coisa se produza2

É por isso que Jesus nos dirigia a advertência sobre a vigilância constante e que a transgressão às leis de Deus pode dar-se pelo pensamento3, antes mesmo da concretização por meio do agir. E não só no campo religioso se reconhece o pensamento como precursor das atitudes: as ações dos homens podem ser consideradas como as melhores intérpretes dos seus pensamentos4

O pensamento, ao contrário da palavra, não se circunscreve, alcança todo o universo. Isso se dá porque se irradia através do fluido cósmico universal, a atmosfera dos seres espirituais, enquanto o som se transmite pelo ar, a atmosfera material5. É por este mecanismo que as nossas preces alcançam Deus e os bons Espíritos; é assim também que se cumpre a promessa de Jesus pela qual onde estiverem duas ou mais pessoas reunidas em seu nome, ali estará presente. Reunidos, pela comunhão de pensamentos, os homens se assistem entre si, e ao mesmo tempo assistem os Espíritos e são por eles assistidos.6

É o pensamento a linguagem universal, o meio pelo qual os Espíritos se comunicam, se entendem, sem a necessidade do recurso da palavra7. Criando imagens fluídicas, que se refletem no envoltório perispiritual, o pensamento pode ser lido por outro Espírito como se lesse página de um livro; assim como os olhos do corpo veem as impressões interiores que se refletem nos traços do rosto (cólera, alegria, tristeza), a alma vê nos traços da alma os pensamentos que se traduzem no exterior8. Não obstante não termos, enquanto encarnados, a capacidade de ler pensamentos, já reconhecemos o seu reflexo em nós. 

A construção do ser, enquanto espírito em evolução, principia pelo pensar e consuma-se no agir. É o pensamento que nos move e onde exercitamos nosso potencial. É nele que se exterioriza o que somos e que nos qualifica a atingir os páramos da nossa essência espiritual.

1 “Penso, logo existo” – Discurso do Método, 1637.
2 RE, junho/1868
3 ESE, cap. VIII, itens 5 a 7
4 John Locke (1632-1704), filósofo inglês
5 RE, dezembro/1864
6 RE, dezembro/1864
7 RE, outubro/1864
8 
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RE, junho/1868