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O Mestre que não julgava

Quantos de nós, ainda nos dias de hoje, continuam a retomar o lugar dos “Doutores da Lei” do passado? Achamo-nos no direito de julgar nosso próximo, esquecendo-nos que, aos olhos de Deus, todos são seus filhos
muito amados.
A Terra é uma grande escola onde todos somos aprendizes e onde a palavra “pecado” deve ser entendida como a transgressão às Leis Divinas. Relembremos a passagem do Mestre, na qual uma mulher adúltera que, estando para a ser apedrejada, corre para perto de Jesus como a lhe suplicar proteção com o olhar. Com serenidade e desassombro,
Ele, causando estupefação aos que o ouviam, diz: “Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!”
Diante das sábias palavras de Jesus, as acusações morreram nos lábios mais exaltados, que ficaram sem argumentos para uma acusação formal. E sem moral perante a multidão que assistia à cena, saíram assim, um a um do local. Em dado instante, o Mestre Divino que continuava a escrever no solo, ergueu a fronte e perguntou: “Mulher, onde estão os teus juízes?” Observando que a pecadora lhe respondia apenas com o olhar reconhecido, Jesus continuou: “Ninguém te condenou? Também eu não te condeno.
Vai e não peques mais”.
Ela, então, se retirou, experimentando uma sensação nova no espírito: a generosidade do Messias que iluminava o coração em claridades vivas e banhavam-lhe toda a alma.
O Mestre, após iluminada explanação sobre a verdadeira punição, deixa claro que nosso juiz é a nossa própria consciência, que nos cobrará as lições a serem aprendidas.
E, respondendo aos questionamentos de João sobre a pecadora, como vemos em trecho do livro “Boa Nova”, de Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos, Jesus o adverte dizendo: “João, eis que estás são. Não peques mais, para que te não suceda coisa pior.”
E continua… “A Terra pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em um suave caminho de redenção. É por isso que não condeno o pecador para afastar o pecado e, em todas as situações, prefiro acreditar sempre no bem. Quando observares, João, os seres mais tristes e miseráveis, arrastando-se numa noite pesada de sombra e desolação, lembra-te da semente grosseira que encerra um gérmen divino e que um dia se elevará do seio da terra para o beijo de luz do Sol”.

Ouçamos o Mestre, em João (cap.1, v. 2:11):

“… aquele que odeia a seu irmão está em trevas, anda em trevas e não
sabe para onde deve ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos”