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O cuidado divino

A providência é o cuidado de Deus com todas as criaturas, sem exceção. Para os incrédulos, isso é motivo de desconfiança. Quando admitem a existência de Deus, não conseguem compreender como um ser tão superior pode se preocupar com atos e pensamentos particulares de cada criatura. Isso se deve à inferioridade humana que não consegue se elevar acima da própria limitação, considerando Deus tão restrito e limitado quanto ele próprio.

Devido à incompreensão da essência de Deus e de nossa tendência a circunscrevê-lo, Kardec propôs fazer isso por meio de comparações. Ainda que imperfeitas, tais comparações possibilitariam compreender aquilo que, num primeiro momento, nos parece inadmissível. Kardec propôs: “Suponhamos um fluido sutil o bastante para penetrar em todos os corpos. Esse fluido não sendo inteligente age mecanicamente, somente pelas forças materiais; mas, se o supusermos dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, já não agirá às cegas, mas com discernimento, com vontade e liberdade; ele verá, entenderá e sentirá.”

Para que pudéssemos compreender sua ideia, Kardec nos fala das propriedades do fluido espiritual. “Ele não é inteligente por si próprio, porque é matéria, mas serve de veículo do pensamento, das sensações e das percepções do espírito. É por causa da sutileza desse fluido que os espíritos penetram em tudo, examinam nossos pensamentos, vêem e agem à distância.”

Quanto ao pensamento de Deus, quer atue de forma direta ou por meio de um fluido, para que possamos concluir a ideia proposta por Kardec, ele vai considerar como um fluido inteligente que preenche todo o universo, ou seja, tudo o que existe está imerso nesse fluido e ele penetra em todas as partes da criação divina e isso faz com que vivamos em Deus.

Kardec conclui então: “Longe de nós o pensamento de materializar a divindade. A imagem de um fluido inteligente universal é, evidentemente, apenas uma comparação capaz de dar uma ideia mais justa de Deus, que as pinturas representam sob uma figura humana.”

Ser infinito é um dos atributos de Deus. Isso significa que Ele está em toda parte e, logicamente, por isso está em contato constante com as criaturas, envolvendo-as, em uma analogia com o Ato dos Apóstolos, 17:28: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos.”

Como não temos inteligência suficientemente desenvolvida para compreendermos Deus de outra forma, basta saber que Ele existe, nos ama, nos ampara sempre, pois Ele deseja nosso bem. Cabe a nós o esforço para evoluir mais e mais a fim de que possamos dilatar nossa capacidade de compreendê-Lo.