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Duas faces

O exame da realidade tem sido executado em caráter exclusivista e irreconciliável, ou seja, filiar-se a um ponto de vista implica necessariamente negar o outro. Em grande parte da história a análise e o posicionamento sobre a Ciência e a Religião tem atendido esses critérios.

No entanto, quando examinadas sem preconceitos e intolerância vemos que ambas têm o mesmo princípio: Deus. A Ciência examina as leis do mundo material, ponderável, enquanto o objeto da Religião situa-se no estudo das leis morais. 

Alguns devem estar pensando: mas os cientistas negam a existência de Deus. Talvez essa negativa seja apenas aparente porque nos parece que os homens de ciência partem de um conceito de princípio das coisas, uma causa primária. Não é este o conceito de Deus? 

Por outro lado, os homens de religião não admitem as leis orgânicas e materiais? 

Assim, pouco a pouco, a distância entre Ciência e Religião diminui e os fenômenos até então sem explicação em uma delas, encontra sua discrição e suas leis justificadas pela outra. Estabelece-se relações entre as leis do mundo material e do mundo espiritual e verifica-se que as leis de um e de outro são imutáveis e constatáveis pela experiência. 

Porém, nem todos os homens acompanham essa revolução, permanecendo cegos e presos aos axiomas, tentando manter intactos os edifícios construídos pelo preconceito e pelo exclusivismo. E ao invés de ampliar os horizontes, cristalizam-se. 

Mas como tudo, ciência e religião incluídas, está sujeito às leis eternas e imutáveis, o progresso vai vir, inexorável e a ninguém será possível se opor à sua marcha.

Assim como Jesus rendeu graças ao Pai por revelar os mistérios do Universo aos pobres de espírito, Pascal, cientista e filósofo com contribuições para a matemática e a física, citou que Deus poderia querer aparecer abertamente àqueles que o buscam com todo o coração e se esconder daqueles que o evitam de todo o coração. 

Fonte: Evangelho segundo o Espiritismo, cap. I, item8.