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Como Jesus ensinou a não julgar

Daremos continuidade ao entendimento do Evangelho para que possamos nos aprofundar no contexto histórico da época de Jesus e entender Suas lições. 

Assim, conseguimos traduzi-las para a nossa realidade. Vale olhar com certo carinho para dois povos bastante citados no Evangelho. São os peageiros e os publicanos. 

Os peageiros, contratados pelos romanos, eram cobradores que recebiam para permitir o ingresso na cidade. Já os publicanos eram os cobradores de impostos da Roma Antiga. Os judeus desconsideravam a necessidade do pagamento do imposto. Acreditavam, na verdade, que esse pagamento era tão injusto que o tornaram uma questão religiosa. 

E fundaram um partido cujo lema era o não pagamento do imposto. Há muitas histórias que se desdobraram nessa questão, que estudaremos ao longo do Evangelho. No entanto, vale uma reflexão mais profunda sobre como nós podemos julgar as pessoas pelo título que possuem. Imaginamos que  a forma de viver esteja totalmente definida por aquilo que nós vislumbramos nesse título e, a bem da verdade, por trás de qualquer título, situação, trabalho…

Independentemente da cultura e da maneira como vemos o mundo, há um espírito em evolução, alguém que está ali galgando os degraus do próprio despertar da consciência. 

Vale uma reflexão mais profunda ao estudarmos a história de Zaqueu. No capítulo XVI, item 4, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, vemos Jesus na casa de Zaqueu. Ele, ansioso para vislumbrar Jesus e possuindo baixa estatura, sobe em uma árvore. Ao vê-lo, o Mestre solicita que desça e se convida para jantar em sua casa.

Imaginando o que nós discutimos até agora sobre como os publicanos eram vistos, naturalmente os que estavam perto do Cristo consideraram que Ele iria à casa de um homem de má vida ou de um pecador. Jesus nos dá ali o maior exemplo de todos: o do não julgamento e de que por trás de todas as situações há, sim, um espírito em evolução fazendo seus  caminhos individuais e que merece de todos nós a caridade, o amor
e a compaixão — da mesma forma que nós. 

Zaqueu, ao receber o Mestre, diz a Ele que vai se reformar e que se tiver prejudicado alguém dobrará o valor a ser pago. Ali se inicia a reforma de um dos espíritos mais importantes, não somente no estabelecimento do Espiritismo no Brasil, coração do mundo e pátria do Evangelho, quanto no incansável trabalho de caridade e amor que fez, desde a sua reencarnação até após o seu desencarne, continuando à frente da divulgação da doutrina e da expansão do Evangelho. Reencarna no corpo do Dr Bezerra de Menezes, dando exemplos de caridade, amor e esperança. Iniciou a sua reforma no contato com o Cristo. Fica para a nossa reflexão, neste mês de Páscoa, nesta semana de Páscoa, neste domingo de Páscoa, que, acima de tudo, nosso maior modelo nos ensinou a nunca julgar.