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Caminhos da alma na evolução

“Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo”. Esta proposição de Jesus a Nicodemos, descrita na Revista Espírita de dezembro de 1869, pode ser entendida assim: “o céu não pode ser um lugar fechado, que Deus abre ou nos fecha ao seu bel-prazer; não podemos concebê-lo senão como um estado superior da alma, que depende de cada um atingir, aos nos purificarmos de nossas máculas, chegando a esse patamar intelectual e moral que está acima da natureza humana e que designamos sob o nome de natureza angélica”.
A purificação é alcançada pelo nascer de novo, ou seja, a reencarnação. Não se trata de ideia nova: os hindus, egípcios, gregos e judeus já a aceitavam. O poema Mahabharata enuncia claramente a reencarnação: “Introduzidas em nossos corpos, a alma atravessa a juventude, a idade madura, a decrepitude e, passando a um novo corpo,
ali recomeça sua jornada”.
A reencarnação é o caminho para alcan-çarmos o nosso lugar nesse reino celeste. Do ponto de partida, perdido na escuridão dos tempos, marcado pela simplicidade e ignorância, ao objetivo, a perfeição, a viagem é a maior aventura da qual somos os únicos artífices, como nos diz a Revista Espírita
de dezembro de 1859. Não se alcança o céu por benefícios ou graça, mas por realizações do próprio espírito, através dessa jornada de aprendizado de conhecimentos e moralidade.
A magnitude dessa jornada nos conduz racionalmente à certeza de que não é possível concluí-la em uma única existência, há tanto que aprender. Destarte, morremos e vivemos mais de uma vez; e como não somos senão partes deste universo, mudamos de forma para retomar a vida alhures, o que não é um mal, mas um caminho para aperfeiçoar o ser e para chegar a um número infinito de conhecimentos, como dito na Revista Espírita de setembro de 1868.
Pensar diferente é ignorar a justiça e bon-dade de Deus que nos condenaria após uma única existência à eternidade de sofrimentos ou nos regalaria com a perpetuidade de gozos.
A reencarnação é a oportunidade para o espírito, qual a Fênix. Segundo a mitologia, quando sentia que ia morrer, Fênix montava um ninho com incenso e outras ervas aromáticas para ser incinerado pelos raios do Sol. De suas cinzas, nascia uma nova ave. Assim que se sentia forte, embalava as cinzas de onde surgiu em um ovo de mirra e o trans-portava para o templo do deus Rá.
Tal qual a Fênix que, a partir de suas próprias conquistas, renasce sucessivamente e consuma o progresso, porque o que não se fez numa existência, far-se-á numa próxima até alcançarmos jubilosos o porto de chegada
no reino prometido.