BEM-VINDO À REVISTA ESPÍRITA ASSEAMA

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça

Jesus, ao igualar a justiça às necessidades básicas do homem, indica que não é possível dissociar a existência do homem desse ideal. Na mitologia ela é representada pela deusa Themis e retratada com venda nos olhos e tendo nas mãos a balança e a espada1. Na filosofia clássica foi conceituada como dar a cada um o que é seu e foi associada à ideia de equidade2

A justiça já assumiu a feição da vingança, da retribuição no olho por olho, dente por dente, mas na lição amorosa do Rabi da Galileia foi apresentada junto ao amor e a caridade no sentido de que devemos fazer ao próximo o que quereríamos que nos fizessem. 

De acordo com a perspectiva de sua aplicação pode ser humana ou divina: a primeira é medida pelo crime em si e a pena atinge o culpado sem distinção; na segunda as punições correspondem ao grau de adiantamento dos seres aos quais são aplicadas. Assim, dois homens culpados no mesmo grau podem ser separados pela distância das provas e então não são mais as trevas que castigam, mas a acuidade da luz espiritual; ela atravessa a inteligência terrena e o faz experimentar a angústia de uma chaga reavivada3.

Em nossa viagem de iluminação espiritual alcançamos progressivamente o desenvolvimento, no entanto, algumas vezes nos perdemos nos atalhos do caminho, onde nos deparamos com as vicissitudes da vida, que nos deveriam induzir a reflexão e ao reconhecimento das responsabilidades, conduzir ao arrependimento e oportunizar a reparação das faltas já desde essa existência, com a satisfação da justiça de Deus, não restando o que expiar no mundo do Espíritos ou em futura existência4

Essa justiça é sublime porque penaliza aquele que ainda não aprendeu com seus erros. Infelizmente existe uma pretensa justiça, eivada de egoísmo e de interesse próprio, representada por Pilatos que lavou suas mãos e sacrificou o inocente. Hoje, a justiça humana é o pálido reflexo desse ideal, mas chegarão os tempos em que se expressará em toda sua plenitude.

1 Venda nos olhos = imparcialidade; Balança = equilíbrio; Espada = força
2 Tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades (Aristóteles)
3 RE, jul/1864
4 RE, out/1864