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Amor maternal

Entre existir e descobrir-se existindo, na esfera do tempo do espírito imortal, passam-se bilhões de anos. Somos espíritos desde o início, mas para nos descobrirmos assim demanda tempo de desenvolvimento, em degraus infinitos de inteligência, consciência e livre-arbítrio. 

E as múltiplas reencarnações têm papel importante nesse processo. Sem o retorno à esfera física, o espírito não poderia contar com o esquecimento da consciência para que se afirmem aprendizados, trazendo do inconsciente profundo o que já foi conquistado e marcando na consciência novas experiências.  

Já estudamos que a encarnação galga novos modelos físicos à medida que o espírito evolui —  e isso ocorre desde a fase de átomo. Mas o que significa voltar à carne? 

Somente a partir da fase de animalidade vemos isso ocorrer, pois os modelos físicos anteriores, pertencentes ao reino mineral e ao reino vegetal, são constituídos de matérias diferentes da carne em si. No entanto, não podemos menosprezar a valiosa contribuição que oferecem ao espírito porque é através deles que se pode despertar a sensibilidade pouco a pouco para “abrir” os olhos espirituais iniciando a percepção de si mesmos na esfera física, na fase de animalidade.

Por isso, entrar no reino animal é um passo sumamente importante para o espírito. É nessa fase que assistimos, perplexos em nossos estudos, o instinto materno se tornar amor em suas múltiplas nuances. Na fase de animalidade, rompe-se puramente o instinto, para que os sentimentos e emoções passem a se desenvolver com mais intensidade conforme a consciência se desenvolve.

Amorosamente, André Luiz aborda o tema no livro “Missionários da luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier. Ele fala sobre o equívoco de não compreendermos que o amor materno, com tal magnitude, existe com essa concepção já nos animais. “Em nada nos doía o quadro comovente das vacas-mães, em direção ao matadouro, para que nossas panelas transpirassem agradavelmente…”

Hoje é o dia das mães no Brasil. Embora seja uma data com cunho material, nesse dia reforçamos o quanto o amor materno é essencial para a evolução do espírito, o quanto a presença da mãe promove equilíbrio e ternura, conforto e paz, mesmo frente aos desafios. 

Vamos refletir: também os animais que  dividem a Terra conosco possuem esse sentimento profundo, tanto na mãe que ama e protege o filho, quanto no filho que busca na mãe a segurança que formará a sua estrutura emocional na reencarnação.

Compreendendo o planejamento divino, que abre os campos do amor mais intenso na maternidade, e que a planejou dessa forma já na fase
de animalidade, precisamos refletir com humildade e clareza sobre os papéis de mães e filhos. 

Observemos o que nos mostra o irmão André Luiz com as  comovente vacas-mães que, deixando seus filhos, seguem para a morte, sem poder reagir, representando as mães animais de todo o mundo.

Consagremos nosso dia para louvar a maternidade e a respeitar o amor de forma que não seja nossa reencarnação à custa das lágrimas das mães do mundo, espíritos cuja tarefa é amar, independentemente do corpo físico que habitam.