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A Visita da Verdade

(Jesus no Lar, Chico Xavier, espírito Neio Lucio)

Certa feita, disse o Mestre que só a Verdade fará livre o homem… 

Perguntou-lhe então Pedro: Senhor, que é a Verdade? Jesus fixou no rosto enigmática expressão e respondeu: A Verdade total é a Luz Divina total; entretanto o homem ainda está longe de suportar-lhe a sublime fulguração.Numa caverna escura… demorava-se certo devoto implorando o socorro divino. Declarava-se o mais infeliz dos homens… Reclamava contra o ambiente fétido em que se achava… Pedia uma porta libertadora… Por que motivo era conservado ali, naquele insulamento doloroso… Notando Nosso Pai que aquele filho formulava súplicas incessantes… compadecido enviou-lhe a Fé. A sublime virtude exortou-o a confiar no futuro e a persistir na oração. O infeliz consolou-se de algum modo, mas a breve tempo voltou a lamuriar… e como se lhe aumentassem as lágrimas, o Todo-Poderoso mandou-lhe a Esperança. A emissária afagou-lhe a fronte suarenta e falou-lhe da eternidade da vida, buscando secar-lhe o pranto … Para isso, rogou-lhe calma, resignação, fortaleza. O pobre pareceu melhorar mas, decorridas algumas horas retomou a lamentação… Condoído, determinou o Senhor que a Caridade o procurasse. A nova mensageira acariciou-o e alimentou-o endereçando-lhe palavras de carinho qual se lhe fora abnegada mãe. Todavia, porque o mísero prosseguisse gritando revoltado, o Pai Compassivo enviou-lhe a Verdade. Quando a portadora de esclarecimento se fez sentir na forma de uma grande luz, o infortunado então viu-se tal qual era e apavorou-se. Seu corpo era um conjunto monstruoso de chagas pustulentas da cabeça aos pés… percebia espantado que ele mesmo era o autor da atmosfera intolerável em que vivia. O pobre tremeu cambaleante e notando que a Verdade serena lhe abria a porta da libertação, horrorizou-se de si mesmo sem coragem de cogitar da própria cura, longe de encarar a visitadora frente a frente para aprender a limpar-se e a purificar-se, fugiu espavorido em busca de outra furna onde conseguisse esconder a própria miséria que só então reconhecia. O Mestre fez longa pausa e terminou: Assim ocorre com a maioria dos homens perante a realidade. Sentem-se com direito à recepção de todas as bênçãos do Eterno e gritam fortemente implorando a ajuda celestial. Enquanto amparados pela Fé, pela Esperança ou pela Caridade, consolam-se e desconsolam-se, creem e descreem, tímidos, irritadiços e hesitantes; todavia quando a Verdade brilha diante deles revelando-lhes a condição em que se encontram, costumam fugir apressados em busca de esconderijos tenebrosos dentro dos quais possam cultivar a ilusão.