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A linguagem dos espíritos e o poder diabólico

A comunicação dos Espíritos, nos primeiros tempos da Doutrina Espírita, causava bastante espanto, dúvida e incredulidade. Havia, inclusive, grande objeção quanto à linguagem pouco elevada de certos Espíritos, indigna da elevação atribuída aos seres sobrenaturais. Não se compreendia que a população humana desencarnada, assim como a encarnada, é bastante diversa, não havendo homogeneidade de conhecimento ou de moralidade. Cabe, portanto, a cada um de nós a diferenciação entre os bons e os maus espíritos, sem acreditar gratuitamente em todos, mas avaliando-se criteriosamente cada comunicação. 

Também é importante perceber que não são apenas os Espíritos inferiores, zombeteiros e vulgares, que podem se comunicam conosco e que sim, Espíritos de Escol muitas vezes descem ao nosso encontro para nos brindar com seus conhecimentos ou conselhos. 

Alguns acreditavam, e ainda hoje há quem acredite, que todas as comunicações ou manifestações espíritas seriam oriundas de uma potência diabólica, capaz de se disfarçar de infinitas formas para um efetivo e perfeito engodo. As considerações de Kardec sobre tal crença incluíram a afirmação da diversidade da população humana na erraticidade, além da percepção de que se fosse realidade “o diabo seria às vezes bastante criterioso e ponderado, sobretudo muito moral”. 

Admitir as comunicações com os maus Espíritos é reconhecer o próprio princípio da manifestação, que apenas pode ocorrer com a permissão Divina. Como conceber um Deus onipotente, soberanamente justo e bom que apenas permita a comunicação dos Espíritos inferiores a nos influenciar ou tentar, sem que tenhamos o contraponto dos conselhos dos bons Espíritos? Tal reflexão nos leva a concluir que se os maus podem se comunicar conosco, os bons também o podem. 

Mais ainda, sendo a mediunidade uma faculdade inerente aos seres humanos e com uma população de espíritos a nos rodear incessantemente, muitas vezes, mesmo que não percebamos, são eles que dirigem os nossos pensamentos e as nossas ações, influenciando os acontecimentos e o destino da Humanidade. Cabe, portanto, a cada um de nós a escolha de nossas companhias espirituais, através do mecanismo de afinidade e sintonia, com a lembrança da recomendação evangélica “orai e vigiai”.