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A beleza na obra dos animais

No livro Evolução Anímica, de Gabriel Delanne, encontramos no capítulo 2  um pequeno estudo sobre a capacidade do Espírito, já na fase de animalidade, em desenvolver a psique para as belezas que no futuro culminarão, no reiino angélico,  com a plenitude das belezas da co-criação com Deus:

“Muito se tem presumido que o sentimento do belo seja apanágio da espécie humana. Entretanto, sabemos que as aves femininas são muito atraídas pela beleza de plumagem dos machos, tanto quanto por seu canto melodioso. Nem poderíamos duvidar que sejam uns tantos sons musicais compreendidos por muitos animais. Romanes viu um galgo acompanhar certa canção com latidos brandos. O cão do professor J. Delboeuf acompanhava regularmente, com a voz, um contralto na ária de A Favorita. O asseio é modalidade da estética e nós podemos assinalá-lo nas aves que limpam o ninho, nos gatos que fazem a sua toilette coai minúcias, e, principalmente, nos macacos. Espetáculo curioso – diz Cuvier – o das macacas a condir as crias ao banho, lavá-las apesar dos seus gritos, enxugá-las e secá-las, dispensando-lhes, na limpeza, tempo e cuidados que, em muitos casos, nossas crianças poderiam invejar. Mas, onde o sentimento do belo e do confortável atinge o mais alto grau é, certamente, nas aves jardineiras da Nova Guiné. Estes pássaros, da família das paradíseas, não se contentam com um simples ninho, pois constroem, fora da moradia ordinária, verdadeiras casas de recreio, que se tornam atestados de bom gosto. Tais construções, reservadas aos adultos que a elas vão para entregar-se a brincos e deleites amorosos, apresentam grande variedade ornamental e as paradíseas gozam, realmente, o luxo de que se rodeiam. Cabanas há que atingem dimensões consideráveis. Têm o formato de quiosques com passadiços cobertos. Há uma espécie que constrói a casinholas colorida de frutos e conchinhas. As mais apuradas requintam em dar a essas mansões de prazer um luxo ainda maior, selecionando as conchas, preferindo pedras rútilas, penas de papagaio, retalhos de pano, tudo, enfim, que encontrem de mais vistoso. O pavimento é feito de varinhas entrelaçadas.”

Assim como os pássaros jardineiros da Australia e Nova Guiné que constroem uma verdadeira obra de arte para conquistar sua amada, o  tecelão republicano na África, constrói ninhos que são verdadeiras comunidades, abrigando muitos indivíduos e demostrando o trabalho em grupo desde essa fase evolutiva, o tecelão brasileiro que com a precisão de uma máquina constrói seu ninho em forma de bolsa, o tecelão baya no continente asiático que usa folhas de 20-60 centímetros para construção do ninho e chega a fazer 500 viagens para sua finalização, o João de barro que trabalha em casal para construir a sólida residência que pode resistir muitos anos e abrigar muitas crias.

Amigo leitor, tendo “os olhos de ver e os ouvidos de ouvir” que nos descreve o Cristo, abrimos as portas da mente para enxergar os animais em seu trabalho de evolução, enfeitando o mundo com a beleza de suas obras, e glorificando a obra de Deus.