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A traição de Judas Iscariotes

Jesus havia chegado a Jerusalém sob uma chuva de flores. Na mesma tarde, Judas Iscariotes expõe para Tiago, filho de Zebedeu, suas insatisfações em relação às atitudes mansas do Mestre, de sua simplicidade extrema, de suas pregações junto aos miseráveis e não às pessoas poderosas. 

Tiago defende com brandura as escolhas do Cristo, tentando mostrar a Judas que não há ninguém mais poderoso que Deus e que Jesus era Seu enviado. 

Mas Judas não estava disposto a mudar seus planos e dizia que deveriam aproveitar a admiração do povo por Jesus e usar isso para impor a figura do Cristo à corte e ao templo. Disse ainda que conversaria com amigos influentes para estabelecer acordos para oferecer novos caminhos às ideias do Messias. 

Tiago tentou advertir o companheiro, mostrando que ele procurava recursos mundanos sem o consentimento do Mestre. E que não deveriam se julgar mais sábios que Jesus, pois Ele conhecia o melhor caminho para a conversão dos homens. 

A noite chegou e, na solidão dela, Judas já tem seu plano formado: entregaria o Mestre aos homens do poder e, em troca, receberia a nomeação oficial para dirigir seus companheiros, tendo autoridade e privilégios políticos. Em seu novo cargo, libertaria Jesus e O deixaria com os dons espirituais para a conversão, inclusive, dos amigos influentes
de Judas, enquanto ele comandaria as ações do novo apostolado.

Assim, nas primeiras horas da manhã, foi recebido pelo Sinédrio. Ouviu promessas e ganhou trinta moedas. Estava satisfeito com suas negociações. Embora equivocado, amava verdadeiramente o Mestre e estava ansioso pelo momento em que poderia libertá-Lo para mostrar, por meio de manobras políticas,  a vitória Cristã. 

Porém, o que Judas presenciou nas derradeiras horas foi a prisão, o flagelo e a crucificação do seu amado Mestre, que se deixou imolar sem revolta. De Seus lábios não saiu uma única palavra de acusação ou queixa. Pelo contrário, a frase derradeira era uma súplica a Deus por misericórdia para os que “não sabem o que fazem.”

O remorso consumia a consciência dilacerada de Judas. Ele cobrou de Caifás o cumprimento de suas promessas e recebeu de volta apenas sarcasmo. Assim, se viu obrigado a reconhecer a falsidade das promessas humanas. Atormentado e aflito buscou os companheiros de fé e pareceu descobrir em cada olhar uma acusação silenciosa e dolorida. 

Cobrado por sua consciência, encerrou de maneira tão dolorosa sua encarnação como Judas Iscariotes junto a uma figueira.

Sempre que pensamos nele, o vemos como o grande traidor do Mestre, mas, acima de tudo, foi sua incompreensão aos ensinamentos do Cristo e sua ganância pelo poder que o tornaram um traidor. Na nossa vida, as belas lições de amor, ternura e tolerância do Senhor muitas vezes soam difíceis de serem aplicadas, pois ferem o orgulho. Por isso, Ele nos disse: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição.”