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A alma e suas fases evolutivas

No segundo item da “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, foi necessário definir outros termos essenciais dentro da Doutrina. Portanto, Kardec começou pela definição de alma. Termo cotidiano no vocabulário humano, com diferentes significados em diferentes doutrinas, foi preciso especificar qual seria o sentido adotado dentro do Espiritismo.

O materialismo considera a alma como o princípio da vida orgânica material, que não tem existência própria e se extingue com a vida. Erroneamente, os materialistas consideram a alma como o efeito e não a causa. Concebendo os fenômenos intelectuais como derivados da atividade do sistema nervoso, invertem os papéis sem perceber que o corpo físico é apenas o instrumento da alma. 

Já para o panteísta, a alma seria o princípio da inteligência, agente universal da qual cada ser absorve uma porção, também denominada como alma-grupo. Assim, no universo haveria uma só alma distribuindo partes do todo para cada ser, que após a morte volta para o todo, com perda da individualidade e da consciência de si mesmo. 

A concepção mais comum de alma é a dos espiritualistas, que a compreendem como um ser distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte, e é esta definição que assume Kardec: “o ser imaterial e individual que existe em nós e que sobrevive ao corpo”, a alma é a causa de toda atividade intelectual e moral. 

Estabelecendo uma classificação dos seres da criação, percebemos que há os que não apresentam vitalidade nem movimentos próprios, são os seres inorgânicos. Mas há outros, os seres orgânicos, que trazem em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá vida e que Kardec denomina de princípio vital, que é a “causa da vida material e orgânica, comum a todos os seres, dos vegetais aos homens”. 

Entre os seres orgânicos há os que não apresentam inteligência — os vegetais —, outros dotados de inteligência mas sem senso moral — os animais —, e alguns dotados de inteligência além de senso moral, com evidente superioridade sobre os outros – os seres humanos. 

Nessa escala evolutiva incessante dos seres, testemunhamos a alma em sua incrível jornada: a iniciar seus passos no átomo primitivo do mineral, adquirir a sensibilidade inconsciente no vegetal, desenvolver o instinto
e a intelectualidade no animal, finalmente acordar para a própria realidade espiritual e a existência de Deus no homem, para um dia atingir a culminância da evolução nas asas do Arcanjo. Sempre sob as bênçãos do Criador.