BEM-VINDO À REVISTA ESPÍRITA ASSEAMA

Há um século, o tema era…

Nesta edição, avançaremos mais um pouco na nossa viagem exploratória pela Revista Espírita. Com certeza, vamos nos surpreender com a contemporaneidade das palavras do codificador. 

Desta vez, o assunto é fake news. Vocês devem estar se perguntando: Kardec já falava sobre isso há 150 anos? Falava sim, mas não usava essa expressão, é claro – que só passou a ser utilizada e se tornou o assunto do momento no ano de 2016. 

Antes de qualquer coisa, cabe apresentar o conceito de fake news. O termo em inglês se refere a notícias falsas, que se espalham rapidamente entre a população, como se fossem verdade. A intenção é incentivar as pessoas a adotarem certos comportamentos, influenciar decisões, provocar revolta etc. Por vezes, estão conectadas a outro conceito denominado pós-verdade – pelo qual fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e às crenças pessoais.

Na Revista Espírita de abril de 1858, na coluna Variedades, Kardec descreve que boatos foram espalhados e repetidos, pelas más línguas, a respeito do senhor Home. O intuito era denegri-lo. Na mesma matéria, ele menciona que um jornal suíço havia publicado reportagem sobre a internação
de pessoas que teriam perdido a razão graças aos fenômenos espíritas.
É claro que Kardec não deixa de questionar essas situações
e de expor os fatos objetivamente.

Também em Variedades, agora na edição de setembro de 1861, sob o título “Notícia Falsa”, Kardec narra que um jornal publicou um texto sobre a realização de uma conferência sobre o Espiritismo, com personalidades da época. Detalhe: a programação para tal evento não existia! A notícia, inclusive, foi replicada em outros periódicos. Sobre esse acontecimento, com elegante ironia, o codificador comenta nas linhas finais da coluna: “Aliás, não nos surpreenderíamos se um dia víssemos publicadas as decisões desse congresso e mesmo citadas palavras que ali teriam sido pronunciadas. Isto não custará nada e, em falta de coisa melhor, encherá as colunas do jornal”, disse. 

No artigo “Devemos publicar tudo quanto os espíritos dizem?” (R.E., novembro/1859), Kardec inicia seu texto respondendo com outra indagação: “Seria bom publicar tudo quanto dizem e pensam os homens?”. 

Dentre as impropriedades de “publicar como sérias coisas que chocam o bom senso, a razão e as conveniências”, o codificador adverte sobre a possibilidade de induzir ao erro, visto que as pessoas não conseguem discernir o verdadeiro do falso ou não têm condições de aprofundar os estudos sobre o assunto. Impressionante, não? Até próxima edição.