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Afinal, eles têm inteligência?

Quem não se lembra da carismática Lilica? A cachorrinha ganhou fama nacional por sua demonstração de solidariedade há alguns anos, quando foi amplamente veiculada pelas mídias a história dessa alma que, após dar à luz a oito bebês, saía em busca de alimento para eles, pelas ruas de São Carlos, interior de São Paulo. Alguns quilômetros de distância dali estava uma protetora de animais que, observando a busca diária de Lilica por comida, passou a alimentá-la. E vendo que, após comer, ela carregava a sacola com as sobras resolveu segui-la. E grande foi a sua surpresa ao ver que a comida era levada para alimentar seus filhotinhos e companheiros caninos que dividiam com ela um terreno de ferro-velho, numa maravilhosa demonstração de compaixão e inteligência. Também não faltou ajuda à dona do lugar que abrigava vários animais, além da família de Lilica. Com a divulgação da história da cachorrinha, a população se sensibilizou e ela também foi amparada. E o que nos diz a Doutrina Espírita sobre a inteligência dos animais? Kardec, no enunciado da questão 597, afirma que os animais têm inteligência e liberdade de ação. As questões 71 a 75 de O Livro dos Espíritos discorrem a respeito, dizendo que “o instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as da inteligência são o resultado de apreciações de uma deliberação. O instinto varia em suas manifestações, segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.” E reforça na questão 593 que “além do instinto, não se poderia negar a certos animais a prática de atos combinados, que denotam a vontade de agir num sentido determinado e de acordo com as circunstâncias. Há neles, portanto, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente concentrado sobre os meios de satisfazer as suas necessidades físicas e prover a conservação.” Assim, percebemos que Lilica manifestou atos deliberados de acordo com sua necessidade, mostrando nitidamente que possui não somente instinto, mas também inteligência. Portanto, sejamos caridosos e benevolentes com todos os seres da criação que dividem o planeta conosco, uma vez que “tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo”, nos diz a questão 540, de O Livro dos Espíritos.